Caros senhores jornalistas, será que não têm mais nada que fazer do que fazer actualizações do estado de saúde de uma pessoa internada no hospital? Desde sábado que temos sido bombardeados com notícias sobre o Angélico Vieira. Eu nada tenho contra o rapaz, senão condenar o facto de conduzir a alta velocidade e sem cinto de segurança. Mas é preciso toda esta palhaçada? E depois inventa daqui, inventa dali, o estado de saúde parece que muda como vento, morto cerebral, afinal abre os olhos e reage, morto cerebral novamente.

Não sendo eu médico, é óbvio que traumatismo com perda de massa encefálica e várias fracturas cervicais, este terá sido o melhor desfecho. Sim, porque o Angélico que todos conheciam morreu no sábado.

Não posso deixar de condenar toda a histeria que se gerou com miudas a chorar à porta do hospital. A culpa não será só delas, obviamente, mas dos pais que as deixam prestar a tais figuras. Efeitos práticos nos jovens? Nenhum! Mais cuidado na estrada? Claro que não. O próprio Angélico já tinha perdido um amigo num acidente à poucos anos. De nada lhe valeu.

Não posso deixar de criticar igualmente a decisão da família de não permitir a doação de órgão. Com o filho morto (e não esquecer que matou outro amigo) o mínimo que poderiam fazer era ajudar a salvar outras vidas.

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