Greves…

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As greves devem (deviam) ser usadas por quem realmente se encontra numa situação precária e que valer os seus direitos. Infelizmente, em Portugal não é assim e quem faz greve são sempre os mesmos, não por causa de direitos que lhes são vedados mas sim por causa das regalias e mais regalias que querem. Os verdadeiros prejudicados com isso acabam sempre por ser, não os patrões, mas as pessoas que nada têm a ver com o assunto mas que dependem, de alguma forma, de quem faz greve.

– Os tripulantes da TAP vão estar 10 dias em greve durante os próximos dois meses. Mais do que a TAP, vai prejudicar todos os que têm férias marcadas e contavam voar nesses dias. Claro que isso não interessa ao sindicato.

– Mais uma vez alguns trabalhadores da CP estão de greve, o que já se torna hábito em Portugal. O curioso é que, ora são os maquinistas, ora os revisores, ora os trabalhadores das bilheteiras. E os comboios param sempre – se não há revisores ou vendedores de bilhetes, deixassem circular as pessoas sem pagar. Mas não, param os comboios e as pessoas que até já tinham comprado o passe e precisam de ir trabalhar, têm muitas vezes de faltar ao trabalho porque não têm alternativas de transporte. Perdem o dinheiro de um dia de trabalho e perdem o dinheiro da viagem, que já pagaram no início do mês.

À burla

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Na quarta-feira, ao fim de meses de campanha das escolas privadas contra os cortes no financiamento estatal, assisti a uma reportagem de TV no Externato João Alberto Faria, em Arruda dos Vinhos. Nesta, a jornalista (SIC) questionava um dos alunos em protesto: “E se tivesses de ir para a escola pública, como era?” A resposta – “Se a frequentasse gastaria muito em transportes” – não mereceu da jornalista qualquer tentativa de esclarecimento. Ora decidi informar–me. O Externato em causa, que terá cerca de 1600 alunos e é o único estabelecimento de ensino do concelho a ministrar segundo e terceiro ciclos, assim como o secundário, celebrou um contrato de associação com o Estado que lhe permite receber estudantes a custo zero (no que respeita à actividade lectiva normal) para as respectivas famílias. O local onde o Externato está implantado dista 10 a 12 quilómetros de pelo menos uma escola pública com os mesmos graus de ensino – em Vila Franca de Xira – que está longe da superlotação.

Tendo o concelho de Arruda dos Vinhos quase 80 quilómetros quadrados, presume-se que nem todos os alunos do Externato moram do outro lado da rua e terão assim de se deslocar vários quilómetros, em alguns casos tanto quanto se frequentassem escolas públicas dos concelhos limítrofes. Claro que ainda assim pode fazer sentido que o Estado financie a frequência do Externato, por considerar que as escolas públicas mais próximas (e como se vê algumas são mesmo muito próximas) não têm capacidade para todos os alunos de Arruda. Sucede, porém, que nem todos os frequentadores do Externato são residentes no concelho. De acordo com um estudo demográfico de 2008, nesse ano pelo menos 365 alunos da EJAF vinham de fora. Parte deles, descobri, de Vila Franca de Xira. São, portanto, alunos cujos encarregados de educação não se importam de os colocar a estudar mais longe de casa beneficiando de um contrato criado para assegurar que há oferta de escola paga pelo Estado perto de casa. É um contra-senso, não é? É. E leva-nos a perguntar como raio pode isto suceder. E como raio se permite o escândalo, em tantas localidades do País, da existência de escolas privadas com contratos de associação a dois passos (literalmente, veja-se o caso de Coimbra) das públicas. E por que motivo nada disto é trazido à discussão.

Porque, afinal, o que deveríamos estar a perguntar, após meses de gritaria insana, não é se a anunciada moralização dos contratos vai causar prejuízo aos privados ou chatear os pais que não gostam de escolas públicas mas não querem pagar as particulares, mas como é possível que só agora, num clima de super-austeridade, ocorra. E mais: se ao aceitarem, à borla para eles e a expensas de todos, alunos que não se enquadram na definição dos contratos de associação as escolas privadas não estão objectivamente a burlar o Estado – como quem, pelo Estado, lhes pagou às cegas (ou não, o que é pior ainda) durante décadas.

Fernanda Câncio, no DN.

Coçá-los

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Vai tomar posse na próxima semana a nona comichão comissão de inquérito sobre o Caso Camarate. Um avião que caiu há 30 anos continua a encher os bolsos a estes senhores deputados que vão receber mais uns trocos extra por mais uma comissão onde a única coisa a fazer deve ser… coçá-los.

Jogadas de bastidores

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Não gosto muito de falar sobre futebol porque é um assunto onde as pessoas tendem a ser irracionais mas não posso deixar de comentar dois assuntos:

– O perdoar, mais uma vez, das dívidas fiscais dos clubes. Eu, simples contribuinte, tenho o fisco à perna se não pagar os meus impostos. Os clubes devem milhões e vêm constantemente essas dívidas perdoadas. Ora, isso quer dizer que andamos todos a pagar para os clubes estourarem milhões. Em tempo de crise, onde somos constantemente “apertados” para pagar mais impostos por causa da situação do país, é inaceitável que se continuem a perdoar este tipo de dívidas.

– A transferência em dia de jogo de um jogador do Olhanense para o Benfica. Não digo que tenha sido por isso que o Benfica ganhou. Em condições normais o Benfica é mais forte e venceria com maior ou menor dificuldade mas, quando se quer que o futebol seja sério não podem continuar a existir deste tipo de jogadas. O dito jogador era um dos pilares da defesa do Olhanense e não defrontou assim o futuro clube mas poderá defrontar no próximo fim de semana o Guimarães. Concluo portanto que não defrontou o Benfica porque este não deixou. Há uma lei que, pelo menos para os empréstimos, não deixa que aconteçam estas situações. O que será diferente aqui?

Isto aqui, isto aqui é…

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..uma data de gatunos, uma data de ladrões e uma data de chupistas!

Diz o DN que em Portugal há quase 14000 organismos públicos dos quais apresentam contas menos de 2000. Ou seja, temos 12000 organismos públicos em Portugal que levam o nosso dinheiro e não apresentam quaisquer contas sobre o seu uso. Andamos nós a pagar impostos para não sabermos sequer onde o nosso dinheiro é gasto?

Diz o DN ainda na mesma notícia que os 10 anos de Governo de Cavaco Silva foi o período em que a despesa mais aumentou. Até aqui nada de novo e continuo sem saber como é que tantos o vêm como um Salvador quando foi ele que começou a enterrar o país.

Ficamos por estes dias também a saber que o PSD escolheu António Pinto Barbosa para fiscalizar as contas públicas. Ora este é o senhor que durante 10 anos fiscalizou (e não viu qualquer irregularidade) as contas do BPP.

Como podemos nós portugueses acreditar, assim,  na classe política?

O Público ao serviço da Galp e dos especuladores

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O Público justifica os escandalosos preços dos combustíveis com o facto de que “O preço do petróleo atingiu esta segunda-feira o valor mais alto dos últimos dois anos, com o barril de referência na Europa para entrega em Fevereiro a fechar nos 95,90 dólares“.

Mais adiante recuam um pouco mais e já dizem que “Desde Outubro de 2008 que o preço do crude não era negociado a um valor tão elevado no mercado de Brent, onde chegou mesmo a tocar nos 96,07 dólares por barril, o valor mais alto dos últimos 27 meses.

Ora, caros senhores do Público, isto é simplesmente ajuda à especulação e à subida INJUSTIFICADA dos preços dos combustíveis. Se tivessem recuado mais três ou quatro meses veriam que, em Junho/Julho de 2008 os preços tinham andado acima dos 140 dólares, ou seja, cerca de 50% mais do que os actuais preços. Por outro lado, os preços da gasolina e do gasóleo atingiram, nessa altura, os máximos que estão agora novamente a atingir, e que já na altura eram exagerados.

Conclui-se, portanto, que não há motivo algum para a roubalheira de que somos alvo sempre que nos dirigimos a um posto de abastecimento de combustível.