Verdadeira ou à medida?

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Um grupo de pessoas deitou-se ontem no Rossio, em Lisboa, por uma "democracia verdadeira". Ora, pergunto eu, o que é uma democracia verdadeira? É aquela em que o povo elege quem nos governa, bem ou mal e goste-se ou não? Ou é aquela que serve os nossos (deles) interesses.
A verdadeira democracia viu-se no fim de semana anterior onde o povo escolheu os deputados para os próximos 4 anos. E, goste-se ou não, sejam ou não os da nossa preferência, é com esses que devemos viver nos próximos tempos. Se queriam mudança a sério, tivessem votado nos outros partidos, aqueles que nunca tiveram a hipótese de mostrar o que valem. Como a maioria votou nos do costume, é com os do costume que temos de viver, mais uns anos.

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Para ler e reflectir

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Diz-se que este texto foi escrito por uma senhora de 61 anos, mas como em quase tudo o que anda na Internet, não se sabe se o que se diz é verdade. No entanto não deixo de aconselhar a sua leitura, não só para os da Geração à rasca mas também para aqueles que, amiúde, garantem que antes do 25 de Abril se estava melhor que agora e que o que falta é um Salazar neste país…

«Geração à rasca foi a minha. Foi uma geração que viveu num país vazio de gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à segurança social.

Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.

Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras porque sim, pais biológicos, etc.

A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.

Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes, em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens, mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados.

Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.

Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época.

Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional, agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os bilhetes esgotaram.

As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de bebidas, e não só…

O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.

As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou amigos que estavam por cá.

Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.

As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".

Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza… …a viagem de ida.

Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os nossos cruzeiros.
Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.

Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar, não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito.

Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.
A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5 pessoas.

Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais, o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para comemorar, tudo pago pelos paizinhos..

Têm brutos carros, Ipad’s, Iphones, PC’s, …. E tudo em quantidade. Pago pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!
Tiram cursos só para ter diploma. Só querem trabalhar começando por cima.
Afinal qual é a geração à rasca…???»

Estão bem um para o outro

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Depois do povo ter eleito um Primeiro Ministro que apenas acabou o curso aos 37 anos e numa Universidade Privada e que de trabalho, só se lhe conhecem cunhas em cargos de administração nas empresas do amigo do PSD [Ângelo Correia], eis que o segundo partido do Governo, corre atrás dos tachos, ou pelo menos a isso apela.

Ai Portugal Portugal…

Rescaldo

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As eleições de ontem tiveram o final mais ou menos esperado: Passos Coelho eleito Primeiro Ministro com carta branca para nos apertar ainda mais o cinto (a troika é que manda) e Sócrates sai da vida política.

No entanto, há muito mais a tirar dos resultados de ontem. A começar pelos votos brancos e nulos. Mais de 4% das pessoas que se deslocaram ontem às urnas não votaram num partido. Isto quer dizer que essas 223338 pessoas se deram ao trabalho de se deslocar a uma mesa de voto, mesmo sabendo que não queriam votar em nenhum partido. Este número entra quase em pé de igualdade com os votos de todos os partidos que não conseguiram eleger deputados: 246228. São então aproximadamente tantos os portugueses que preferem não dar o seu voto a ninguém como os que escolhem um "pequeno" partido.

Primeiras aparições de Passos Coelho, primeiros motivos de receio: a repetição do tocar do Hino Nacional como exaltação ao grande líder, faz recordar outros tempos dos quais ninguém se deve orgulhar.

Bloco o grande derrotado da noite, ao baixar para metade o número de deputados. A derrota do PS não é tão estrondosa já que era esperada e só não aconteceu em 2009 porque o PSD não teve habilidade para isso.

O PCP mantém a sua votação dos últimos anos, mais voto menos voto, o que também não surpreende. Tem um eleitorado fiel mas não consegue captar os "saltitões". O nome "comunista" mete medo a muita gente, não sei porque. Curiosamente o BE conseguiu esses votos em eleições anteriores mesmo sendo mais à esquerda do que o próprio PCP. Talvez porque as pessoas conhecem nomes, não conhecem programas nem ideais.

Ontem só foram eleitos 226 deputados dos 230 da Assembleia. Os restantes 4 serão eleitos pelos círculos da emigração. Não concordo que haja estes círculos. Quem sai do país à procura do melhor para si não deve tomar partido nas decisões do país. Ainda mais absurdo é que os cerca de 20000 emigrantes que deverão votar vão eleger mais deputados do que os 75000 votantes de Beja, os 75600 de Bragança, os 86000 de Évora ou os 61500 de Portalegre. E a divisão em dois circulo diferentes dos poucos votos faz com que tradicionalmente o PS tenha mais votos que o PSD mas o PSD consiga 3 mandatos e o PS 1.

Deixo para o fim aquela que para muitos é a vencedora da noite: a abstenção. Eu não dou tanta importância a estes números por um motivo muito simples: como é possível que num pais com cerca de 10 milhões de habitantes haja 9,5 milhões de eleitores? Os cadernos eleitorais estão desactualizados. O que pode influenciar os resultados na medida em que a distribuição dos deputados por distrito é feita pelo número de eleitores recenseados e pelo número de votantes. Assim, a divisão dos deputados por distrito seria mais correcta se fosse feita apenas na noite das eleições, perante o número de eleitores que efectivamente foram às urnas e não sobre os recenseados.

Juntando estas duas últimas ideias de terminar com o voto dos emigrantes e distribuir os mandatos com base nos votantes teríamos estes resultados:

PSD 107
PS 73
CDS 25
CDU 17
BE 8

Não haveria grande diferença nestas eleições, mas poderá haver noutras alturas.

Greves…

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As greves devem (deviam) ser usadas por quem realmente se encontra numa situação precária e que valer os seus direitos. Infelizmente, em Portugal não é assim e quem faz greve são sempre os mesmos, não por causa de direitos que lhes são vedados mas sim por causa das regalias e mais regalias que querem. Os verdadeiros prejudicados com isso acabam sempre por ser, não os patrões, mas as pessoas que nada têm a ver com o assunto mas que dependem, de alguma forma, de quem faz greve.

– Os tripulantes da TAP vão estar 10 dias em greve durante os próximos dois meses. Mais do que a TAP, vai prejudicar todos os que têm férias marcadas e contavam voar nesses dias. Claro que isso não interessa ao sindicato.

– Mais uma vez alguns trabalhadores da CP estão de greve, o que já se torna hábito em Portugal. O curioso é que, ora são os maquinistas, ora os revisores, ora os trabalhadores das bilheteiras. E os comboios param sempre – se não há revisores ou vendedores de bilhetes, deixassem circular as pessoas sem pagar. Mas não, param os comboios e as pessoas que até já tinham comprado o passe e precisam de ir trabalhar, têm muitas vezes de faltar ao trabalho porque não têm alternativas de transporte. Perdem o dinheiro de um dia de trabalho e perdem o dinheiro da viagem, que já pagaram no início do mês.

Palhaçadas

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Continuo sem perceber qual é a lógica de se publicarem sondagens quase diariamente, com percentagens baseadas nas respostas de 450 indivíduos e fazer uma festa sempre que há uma subida/descida de umas decimas. Eu se pegar num dado e o lançar 450 vezes por dia, também vou ter uns gráficos a subir e descer umas decimas por dia.
Além do mais, o que interessa é o número de deputados e não a percentagem de votos e esse número de deputados depende das votações por distrito. Ora, as sondagens dão sempre totais nacionais, que não elucidam em nada sobre a real intenção de voto dos portugueses.

Problemas

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Depois de uns problemas que me impediram de postar aqui durante mais de um mês, estou de volta para actualizar isto com mais regularidade.

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